Percebi que todas as minhas fotos de instagram são sorrindo. E me perguntei quando “entrei” pro time de pessoas felizes do mundo, para quem tudo está sempre bem! Sério, passei um tempo pra entender… O fato é que muita coisa mudou e de fato tem dias em que não me reconheço, como ontem. Nem tudo deu certo mas eu estava rindo e fazendo piada sobre. Algo de muito “grave” havia acontecido!!!

Bem… Ainda sou uma pessoa bipolar, óbvio. E até comecei a filmar minhas crises para pensar melhor sobre o assunto. Ou seja, nem sempre estou rindo. Por vezes choro como todo mundo. E se sempre estou feliz nas redes sociais é porque esses registros acontecem quase sempre depois de uma atividade física.

Em momentos de… Euforia.

Demorou pra perceber, mas essa é a realidade.

Babada de felicidade 

Ou seja o instagram é apenas parte de um todo gente. E nem sempre é o que parece! Não dá pra imaginar como é a vida real das pessoas através de UM clique por dia. Mas como tiro as fotos sempre, ou quase sempre depois dos exercícios, dá para saber o que acontece depois de uma hora nadando, pedalando, correndo. Às vezes é euforia, às vezes é serotonina, às vezes é exaustão.

Nesses momentos é como estar sob o efeitos  de comprimidos de neuroreceptores. Então anormal seria se não estivesse toda babada de felicidade. A grande dificuldade é fazer fazer com esses efeitos sejam duradouros. É possível ser feliz toda hora? Ou melhor, é possível ter uma vida mais feliz? Ou menos triste!

Se você entender que ser feliz é uma alternância saudável entre momentos de alegria com outros de tristeza e até melancolia… Outros de euforia… Aceitando que é humano ficar frustada e babada de ódio… Eu diria que sim, dá pra ter uma vida plena ou melhor, insatisfatoriamente feliz! Encosta aqui que te conto…

01. Faça atividades físicas regulares 

Bem, de saída já aviso – você não conseguirá ser mais otimista ou um pouco mais risonha com apenas uma atividade por semana. Os efeitos duram apenas algumas horas então não tem jeito, a palavra chave é regularidade. Claro que atividades intensas podem ser muito prazeirosas, mas insisto há outras possibilidades. A caminhada é uma delas.

Quando não podia correr e não tinha uma bicicleta para pedalar, fui intensamente feliz andando devagar, andando forte. Só não começa tudo de uma vez, por favor. Inúmeras mulheres me contam que começam assim e deu errado toda vez. Quem vai longe começa de algum lugar e não podem ser mais que dez minutos. Depois, andando há pelo menos um ano ou praticando (outra) uma atividade física de baixo impacto, considere começar a correr!

02. Tome seus remédios na hora certa 

Nós vivemos num mundo dominado pela indústria farmacêutica, é verdade. Não há espaço para qualquer tratamento que não seja medicamentoso, que seja alternativo. Por outro lado, a gente que é bipolar sabe que não é fácil tomar um bando de remédio. Mas também sabe como isso faz bem quando encontramos a medicação certa. A vida fica bem mais fácil.

E tudo que faz a vida melhor, precisa ser levado a sério. Não precisa ser remédio em cápsulas. Pode ser sua atividade física, uma conversa com aquela amiga distante… Sou péssima nesse último quesito, mas você me entendeu. Saia pra caminhar, fazer sua hidroginástica, musculação ou… Tomar aquela cervejinha com a rapeize!

Pode ser chá de valeriana ou camomila…

03. Comer direito faz parte

Alguns alimentos são amigos de quem anda um pouco triste. Como a banana que é uma bomba de triptofano e faz a gente ficar mais “feliz”! Existem muitos artigos interessantes a respeito mas vou compartilhar minhas regras de ouro – coma tudo o que quiser, desde que não sejam embalados. Se comer carboidratos, abuse dos complexos. Evite alimentos com altos índices glicêmicos, o consumo de produtos animais e não se culpe quando tudo isso sair diferente do que você esperava.

Nada de culpa!

Não se esqueça sobretudo das gorduras boas das sementes, todas amigas da gente. A de abóbora a gente coloca em cima de tudo, com a de girassol a gente tempera saladas, linhaça e chia podem ser levadas para cima e para baixo e ajudam na hora dos lanchinho. Experimente e me diga se sua mente ficará mais “calma”. Esse tem sido o maior benefício para mim, mas a pele mais bonita e uma memória mais forte são a cereja do bolo!

04. Abrace suas qualidades, sim!

Uma das minhas maiores sofrências eram (e ainda são) meus defeitos. Mas e se você um dia percebesse que seus defeitos são na verdade suas qualidades? Outro dia me peguei admirando meus cabelos brancos e fiquei emocionada por ter tido a oportunidade e a força necessárias para ter vivido até poder vê-los.

Numa conversa com uma mulher na academia, falei o quanto a admiro porque desde que a conheço ela corre e nunca, eu disse nunca, se lesionou! Sobre isso ela disse que seu tipo de corrida é apenas “bem estar”. O que para alguns é defeito, não correr pensando em medalhas e tempos, fez dessa mulher uma campeã quando o quesito é se sentir bem e saúde.

Avalia!

05. Pare de fumar

Sempre achei que as pessoas precisam fazer o que precisam fazer. Isso significa que em algumas ocasiões, não conseguem parar de fumar. E a vida é assim. Mas se você puder e estiver disposta a tentar, vá em frente garota. Tenha em mente que nos primeiros dias você vai sentir que tudo piorou. Uma tristeza que dá uma vontade de… fumar! Mas continue, siga em frente no seu plano.

Coma, beba água, mastigue cravinhos. E o mais importante, descubra alternativas para o vício. Eu por exemplo, achava que respirava melhor fumando. Que me cuidava, dando uma pausa na loucura do mundo enquanto puxava um trago. Só que na realidade, era tudo menos isso. O autocuidado começa quando o cigarro acaba, daí você se sente mais viva e com o tempo… Um pouco menos ansiosa e depressiva.

Bônus. Seja Feminista!

Enquanto término esse post, fico pensando nas motivações para o movimento. Algumas não são motivações de verdade, mas imposições de uma sociedade cisheteronormativa que destina os corpos para esse ou aquele fim de acordo com seus interesses. Nunca os nossos. Uma consciência maior sobre o que você faz e como faz é de extrema necessidade para nossa saúde mental.

Estou fazendo isso para me encaixar em padrões impossíveis ou que não me dizem respeito? Estou fazendo isso porque acredito e me faz feliz? Existe culpa em fazer com meu corpo o que eu acha melhor para ele? E se na realidade o melhor for de fato deixar de lado esses cenários que me machucam como mulher, negra, indígena, pobre, periférica? Se a resposta for sim, muito provavelmente haverá um enorme ganho para sua saúde mental. O maior deles na realidade!

E nenhum remédio ou médico poderá fazer isso por você. <3