Sabe quando a diabetes está tão perto que você nem presta mais atenção? Pra quem cresceu vendo os mais velhos medindo a glicemia todo dia, para prevenir ou controlar a doença, isso sempre foi mais um dado da vida. Só essa semana me “dei conta” de que minha mãe e minha tia sofrem com a diabetes. Que meu avô perdeu as duas pernas por causa disso, que meu pai estava pré-diabético há alguns meses. Ou seja, a estória é conhecida e a gente sabe muito bem como termina.

O diabetes causa inflamações por todo corpo podendo afetar a visão, provocar a perda de membros, excesso de sono em seus estágios iniciais, cansaço e fraqueza, sede e micção excessivas, visão embaçada. Tudo isso agora é só uma lembrança na vida da Betina, que até sofreu um pouco com o tratamento, mas que agora está toda linda, tendo uma alimentação normal e… O mãos importante… Livre da diabetes!

Vamos contar um pedacinho dessa estória.

As mulheres negras e o diabetes

Antes de mais nada, alguns conceitos que costuram esse post. O primeiro é o fato de que saúde ou sua ausência não dependem exclusivamente do paciente, mas que ao mesmo tempo existe certas coisas que apenas nós podemos fazer por nós mesmos. Isso relativiza um ponto de vista quase inquisidor sobre quem “não se cuida” e que inclusive questiona se essa pessoa tem direito à saúde. Mas ao mesmo tempo faz com que a gente possa se conectar à prática do autocuidado e até mesmo fazer dele uma ferramenta de empoderamento, sobretudo em situações limites.

Essa é a hora em que conto para vocês sobre como estava me sentindo ultimamente – sede, fome e vontade de comer doces incontroláveis e vontade de fazer xixi a todo momento. Houve uma ocasião em que cheguei a ir ao banheiro uma vez por hora, o que chamou atenção de uma moça que estava comigo e que por acaso vem a ser uma enfermeira. Ela me disse pra ver o que estava acontecendo porque normal a coisa não estava afinal a mulher preta é o alvo preferencial da diabetes.

As negras têm 50% a mais de chances de desenvolver diabetes que as brancas.

Atenção à Saúde das Mulheres Negras

A coisa também não estava normal pra Betina Paixão, uma amiga que resolveu investigar o que estava acontecendo. Saca só o depoimento dela que nos fala sobre um dos principais  benefícios da dieta low carb, baixar nossos índices glicêmicos. Se você é uma mulher preta como eu e a própria Betina, isso pode ser muito interessante, afinal temos 50% a mais de chance de desenvolver a diabetes em relação as mulheres brancas. Então é preciso estar ciente que comer menos carboidratos pode ajudar.

Diabetes e a low carb

Eu fui no endócrino pra perda de peso, eles pedem exame de sangue, eu fiz os exames ele foi avaliar. Eu estava com 97% do triglicérides alto, que é do açúcar, então ele já me falou que eu estava com pré-diabetes. Se eu não tomasse cuidado, eu poderia ficar já com diabetes, porque na família eu tenho tendência a ter isso, meio que genético e deu que eu estava pré-diabética. Mas eu não sentia nada, não sentia tontura, não sentia dores, não sentia sede. Não sentia nenhum desses sintomas que geralmente acontecem quando a pessoa tem ou está começando a ter diabetes.

A minha dieta foi bem simples: cortar alimentos que contenham açúcar, diminuir quantidade de carboidrato que eu estava comendo, adicionar vários legumes e verduras. Eu não podia comer massas, carboidrato foi tirado do cardápio, como farinha. Muitas frutas eu tinha restrição como abacate, caqui, banana e uva. Foram tiradas do cardápio por conter um teor a mais de açúcar. Eu tinha de regular a quantidade de fruta e mesclar, comer uma maça, uma laranja, um mamão. Eu não podia comer tudo de uma vez tipo salada de frutas. Tinha de cortar algumas frutas também e colocar outras nesse cardápio.

E o que mais me deixou assim e que eu achei que não sei difícil mais foi, foi o chocolate, doce. E pra mim eu fiquei durante esse período com uma vontade descomunal de comer qualquer tipo de doce. A coisa mais difícil que eu achei que eu não pensei que seria comer qualquer tipo de doce e eu fiquei bem intensa durante o período de dieta.

Desnecessário dizer que a Betina teve recomendação médica e estava no perfil dos que precisam e podem fazer low carb, por exemplo com suspeita de diabetes. E que o objetivo dela não era emagrecer, mas sim mandar a doença pro vinagre. Esse foi uma das coisas que me fez voltar pra low carb que inclusive não precisa ser algo para todo o sempre. Nem algo rígido. Ainda vou comer meu feijão /0/****** porque ninguém morre disso. Mas vou evitar as três lasanhas seguidas no final de semana.

Vontade de comer doce

Uma das coisas que me chamou atenção na fala da Betina foi a questão do doce. Nos períodos em que segui esse protocolo alimentar, senti basicamente o mesmo. A gente não fica apenas com vontade, é como se o doce fossem os cérebros e nós virássemos os zumbis nos filmes de terror. Fica num nível incontrolável, o que alerta para o fato de que a dieta não deve ser feita sem o acompanhamento médico. E se for, porque a gente faz loucuras né, que se preste atenção porque ela é um risco para quem tem transtorno alimentar.

Não vale a pena. Melhor comer carboidratos complexos e ser feliz, do que por em risco sua saúde!

O diabetes e o jejum

Já se vão 3 dias e não sinto mais a mesma fome monstruosa. Muito menos fraqueza ou vontade de matar por uma rapadura. Também deixei de lado os adoçantes que sim, não engordam, mas aumentam o nosso índice glicêmico porque podem ser repletos de carboidrato. Agora os únicos pecados são o sal (ai que delícia deus!), a água com gás e o queijo que é uma das coisas mais viciantes do mundo, perguntem aos bebês que ficam chapados depois de uma mamada!

Nesse meio tempo fiz até um jejum de 12 horas, que é ficar sem comer e ao mesmo tempo não passar fome, cujo maior benefício é o controle dos níveis glicêmicos e a desintoxicação do corpo e não o emagrecimento como diz o senso comum. Aliás se o intuito é emagrecer, realmente não recomendo essa prática. É muito fácil a coisa descambar para a bulimia ou compulsão por exemplo. Nesses período não tive recaída alguma e meu apetite até diminuiu e não regulei em nenhum momento a quantidade de calorias ou tamanho das porções, mas estou de olho.

E monitorando também a quantidade de líquido ingerido…

E você, já fez ou quer fazer low carb? Por quê?

Imagem – Agora Media