Aprender a nadar em águas abertas é o meu maior desafio agora. O meu primeiro treino foi no Riacho Grande e tinha a tarefa de superar míseros 25 metros de distância. Me segurei na boia e quando não havia mais chão para me apoiar, fiquei paralisada. Busquei o braço de meu treinador e me senti completamente aterrorizada quando não pude tocá-lo.

Não consegui ir em frente. Foi como esperar a vida inteira para ser livre e de repente, ter medo de sair da gaiola. Passei mais de dez anos sonhando com esse momento e fracassei. Foi frustrante e dolorido. Senti que boicotei a mim mesma, que me recusei a abraçar a minha independência emocional e por consequência todas as outras. E assim, mais uma vez, tomei por verdade que o problema era eu.

Mas era mesmo?

Gostaria de te convidar a entender esse medo de uma outra perspectiva, pois aprender a nadar não precisa ser um bicho de sete cabeças. E na realidade não é. Esse será meu desafio para a próxima temporada, inclusive.

Aprender a nadar é perder o medo de não dar pé

Quando as pessoas falam que tem medo de aprender a nadar isso pode significar muitas coisas. O medo de se afogar, de não saber como boiar… E muitas vezes, medo de “não dar pé”, uma sensação que aterroriza muitas de nós, eu inclusive. É uma das últimas barreiras a ser enfrentada até ser uma nadadora “séria” que enfrenta até águas abertas. Outras vezes é o primeiro dos obstáculos, porque a sensação de desconforto pode surgir numa piscina rasinha.

Tenho me dedicado a entender a natureza desse medo que pode ser traduzido como o pavor de não ter a possibilidade de tentar de novo. É como se o fracasso fosse te definir para o resto da vida, afinal quando não há mais “chão” para se apoiar você “precisa” mostrar quem é. Se falhar, pode “morrer”. É como se não existissem possibilidades entre o sucesso e fracasso. A gente até entende tudo isso fora da piscina, mas e quando está dentro?

Se triatleta é apenas aquela que vai para Kona, que diabos estamos fazendo aqui?

Hoje me sinto muito mais forte mesmo estando longe das piscinas. Percebi que o problema não é ter ou não chão. É o medo de falhar e a cobrança em ser uma pessoa de “sucesso”. Mas o que seria isso mesmo? Se é aprender a nadar massacrando os próprios sentimentos e medos, talvez não valha tanto a pena assim. Agora, se é insistir contra as adversidades por um bom motivo, bem… Talvez faça sentido.

Sem ter falhado, jamais teria entendido porque e como isso aconteceu e não estaria aqui, conversando com você.

Foi aqui que eu fracassei. Créditos: Mbraga – Sistema Presskit.

Nado tartaruga

Aprender a nadar é, na realidade, apenas o começo do desafio. Depois que a gente pega as manhas do nado crowl, é preciso se conhecer. Você vai precisar entender se é rápida ou devagar. Se nada de forma elegante ou outra coisa! No meu caso, nado como uma tartaruga em terra firme: quero e vou chegar do outro lado da raia, só não disse como. E talvez não seja tão bonito assim de ver.

Se a vergonha for muita, há solução, pelo menos se sua academia oferece horários de raia livre. Como você já tem alguma noção de como se faz (e na realidade não existe nenhum segredo, basta ir e voltar de acordo com seus objetivos de tempo, por exemplo) basta começar a treinar antes de voltar às aulas, para pelo menos ter algum fôlego quando fizer aulas.

Lembrando que, as aulas existem para que pessoas como eu e você entrem em forma. Então não há motivos para ter medo de não ser tão rápida como todo mundo. Até mesmo porque se a diferença entre uma aluna nova e os demais alunes é gritante, possivelmente o erro não é seu. Mas de quem te colocou com essa turma.

Medo de não chegar do outro lado

Quem nunca? Estive apenas uma única vez numa piscina olímpica. Mentira, eu sempre achei que estive. Mas é que a semi-olímpica (25 metros) parecia uma distância tão longa para uma fumante como eu que, ainda lembro da sensação de olhar para o outro lado da borda e me perguntar como iria chegar até lá.

Sim, consegui. Mas tive que parar muitas vezes no meio do caminho para pegar fôlego, coisa que ainda acontece quando tento ser linda nadando no estilo borboleta. E depois de chegar lá, enfrentar a dura realidade de precisar voltar, que miséria. Eu achava que aprender a nadar era a maior treta, mas é apenas uma delas. É preciso chegar e trazer seu corpo de volta, com alguma dignidade (ou nenhuma, como sempre faço e não tenho vergonha de admitir).

E sempre que fico um tempo sem nadar, acontece a mesma coisa. Nado muito devagar e logo fico ofegante. Mas apesar disso, acontece também um pequeno milagre depois de um tempo e isso me motiva. Consigo fazer nado de até 7 braçadas sem respirar, o que é coisa para poucos na realidade. Então tudo é possível amigas!

Me conta!

Espero que esse post tenha ajudado você que está querendo aprender a nadar e que ao mesmo tempo está pensando em parar de fumar. Se quiser conversar deixe um comentário e podemos bater um papo sobre tudo isso. E tem um post lindo sobre mulheres nadando em Zanzibar, vem!