Olá pretas,

fico tão feliz quando vocês falam comigo através do instagram que decidi responder a todas as perguntas que vocês me fizerem por lá. Vou começar com essa aqui, que me tocou bem fundo. Até mesmo porque estava me fazendo a mesma pergunta, pensando onde as pessoas arrumam disposição para fazer coisas que parecem tão complicadas.

Porque sinceramente, isso é um mistério para mim também. Logo eu que sempre ouvi que nunca terminava o que começava, que não tenho memória, foco e não sei muito bem o que estou fazendo, o que significa tudo isso. Então quando ou vi essa pergunta fiquei surpresa, sério. Na verdade verdadeira, não sei mas vamos tentar.

Estava pensando exatamente no treino que fiz esse final de semana e que motivou essa pergunta. Andei de bike por duas horas e corri mais 45 minutos. Antes de fazer “tudo” isso, passei dois dias fugindo, me perguntando como esse paranauê seria possível. Como poderia fazer isso, pelas deusas! Confesso que pensei em desistir, porque né, essa coisa toda está indo “longe demais”.

O fato é que sempre quis ser uma triatleta, sem saber muito bem o que isso significa. Agora estou começando a entender, começando. Não se tem finais de semana, não se vai às baladas, não se bebe cerveja quando se quer e com isso a gente deixa de curtir com os amigos, não se come aquelas coisas deliciosas que a gente ama porque pode dar dor de barriga no treino.

Ou ainda, a gente pensa em emagrecer, mesmo sabendo que já está chupada. É que o joelho está deteriorado, não dá pra sobrecarregar mais um isso! E daí que você se sente malzona quando engorda 3 quilos, não consegue correr direito, pensa que ainda tem de perder mais 10 e fica se perguntando se existe uma explicação moral e cívica para isso.

Ela existe e é simples, essa coisa também é muito gostosa! Você não está mais deprimida, consegue dar oi para as pessoas, sair de casa, dizer sim para convites profissionais, você consegue até… Rir. Mas não é só por isso não. É pelo prazer de correr sem destino, de pegar a bike e pedalar até a bunda ficar ardida… É porque você se sente voando quando nada, aquele momento em que não há barulho…

Sim, existe o medo. O medo de nadar… Ainda vou falar muito disso. Mas, mesmo com todo medo do mundo, esse carai faz sentido para você de alguma forma que somente você consegue explicar. E isso pretas, está dentro de cada uma de nós. É coisa que não se consegue ensinar mas também é tudo o que encontramos dentro de nós, já está conosco e sempre esteve.

Mas é só um achismo.

Um beijo,

Charô.