Salve rapeize! Vamos falar de quietiapina?

Mas antes…

Quanto tempo. Confesso que estava muito <<<chateada e decepcionada>>> comigo mesma nesses últimos meses. E sim, é muito fácil cair nessa culpa que só desagrega sobre não fazer tudo que se havia planejado. Não basta ter foco, força e fé?

O peso dessas palavras reflete como algo que poderia ser muito bom é transformado numa falta. Ou você está dentro daquele grupo seleto que nunca tem dúvidas e pra quem uma semana inteira de exercícios é fácil ou… Não está, gerando frustração e nada de bem estar.

E dai que estava tentando entender, com base no entendimento racional da questão e de sentimentos nada construtivos sobre tudo isso, porque tenho estado tão instável na hora de completar as metas mensais. Não sem antes entregar para mim mesma minha carteirinha feminista.

Semanas que foram um porre

A última semana, antecedida por outras igualmente péssimas, foi um porre. Perdi não apenas as atividades físicas mas também compromissos muito importantes por causa de um sono que não é desse planeta. Foi muito complicado ficar acordada como qualquer ser humano.

Se bem que dormir nunca é ruim. Mas a toda hora e <<<sem>>> explicação? Houve um momento em que apenas busquei fazer o meu melhor mas desisti de lutar. Parava e dormia, foi o que deu pra fazer. Por vezes ficava uma hora acordada e já precisava dormir.

Um apetite fora da curva também. Ganhei inclusive alguns quilos que estão prejudicando a corrida por causa do joelho. Desregulei o consumo de carboidratos e ontem só não comi a caixa de biscoitos porque vimos que tem ovo e ainda sou vegetariana. Ainda.

Isso fez com que dores abdominais (e a promessa de refluxo estomacal e episódios de transtorno alimentar) voltassem e com elas a acne. Foi tão sério que mal conseguia dobrar o pescoço, pra você ter uma ideia das lesões. E vamos combinar, ter acne é chato, mas ter acne aos 40 e tra lá lá é um porre.

Se você é bipolar, se cuidar também é tomar remédio

Então para além da chateação descabida e fora de lugar, coisa que a gente odeia porque entende que se desconstruir é para a vida… Nesse pacote vem essas coisas muito pontuais que sempre estarão lá caso você não se cuide. E sei que precisaria esmiuçar essa ideia um pouco melhor, mas não agora.

E se cuidar passa por tomar a medicação certa quando você é bipolar, certo? Pois é. Por conta de complicações acabei tendo de tomar quietiapina (ou serroquel) e em virtude da falta de memória, apenas adicionei o remédio como mais um comprimido a ser ingerido e não tomei as devidas precauções que ele exige.

E pra mim a treta era mesmo conseguir ficar acordada. O resto a gente ajeitava depois. Mas dormir como se não houvesse amanhã não é um privilégio que mulheres negras tem, porque o dia de amanhã de fato  chega e dai é salve-se quem puder.

Resolveu alguns sintomas mas… Ao mesmo tempo alterou todo meu sistema de cuidados. Aliás é nessa hora que a gente entende porque se chama sistema e não apenas uma lista de coisas a ser feita. Ou seja, é preciso entender como um fator influi nos demais, como acontece a interação entre eles. Se rola.

A vida é movimento

E é também nessa hora que foco, fé e força não tem o menor sentido para a ampla maioria dos mortais. Completar a planilha (ou não) nunca é questão de mérito. É apenas uma soma de coisas que tende para uma lado ou para outro e não tem a ver com uma falha de caráter. Ou uma personalidade ímpar.

Porque no meio disso tudo pode acontecer um bando de coisas que para mim foi um remédio chamado quietiapina, que me faz dormir como a bela adormecida mas ao mesmo tempo me deixou menos funcional numa época cheia de compromissos, quando a ideia sempre foi justamente oposta. Mas a vida é movimento, certo?

Então vamos insistir na meta, apesar da quietiapina. Um mês de triatlo no carpete sim, mas com muita consciência. Ser bipolar não é um dado da vida que não tem consequências práticas. Mas a gente vai detonar com o diagnóstico ou morrer tentando, pelo menos equilibrar um pouco os pratos da vida!

Imagem de destaque – Huffpost.