Imagine a cena amiga. Você procurando as mais relevantes notícias da semana numa segunda-feira qualquer. Entre uma manchete outra você se depara com um furo de reportagem: foi criada a primeira equipe de triatletas negras do mundo.

Num sistema de pensamento em que o esporte e lazer nem sempre contemplam uma perspectiva de raça e gênero, o que significaria um projeto assim agora que mais e mais mulheres estão se colocando para disputar essa narrativa.

Atividades esportivas e de lazer podem prover para mulheres a confiança para resistir a pressões de seguir ideias convencionais sobre o que é feminilidade“, constata Meghan Kelly Cronan em Triathlon and Women’s Narratives of Bodies and Sport (Triatlo e narrativas femininas de corpos e esporte).

Ela prossegue afirmando que “mulheres triatletas não necessariamente abraçam os mesmos aspectos dos homens triatletas, (porque) esse esporte pode prover uma via para ressignificar regras de gênero e identidade“. O mesmo acontece quando colocamos na equação a nossa cara preta.

A prática do triatlo por mulheres negras não é um modinha, não está necessariamente ligada aos discursos de superação e nem sempre tem a ver com a vontade de perder peso. Na realidade, quase sempre traz na garupa algo muito maior.

Porém é sabido que nossa sociedade ainda não está preparada para entender uma imagem tão simples quanto uma mulher negra atravessando a cidade com uma bicicleta. É ter que lidar com os olhares de espanto quando você se propõe a ocupar espaços tão elitizamos quanto praias e provas de corrida.

Sozinha, uma triatleta negra incomoda e também inspira muita gente a criar novas narrativas onde não há obstáculos possíveis às nossas vontades de ultrapassar as barreiras do racismo e sexismo. Significa que podemos ocupar lugares que ainda são impensáveis para nossos corpos sob uma perspectiva racista e sexista.

Significa incorpora a recusa de aceitar papéis que nos são destinados por sermos mulheres negras. Se você compartilha do sentimento de alegria quando encontra uma preta correndo, nadando ou andando de bicicleta, você sabe do que estou falando.

Agora imagina um bando! A gente também vai se dedicar esse ano a encontrar mais e mais mulheres negras no esporte. Vem com a gente que tem!

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Imagem destacada: Sika Henry.

Texto de Referência: Triathlon and Women’s Narratives of Bodies and Sport. Disponível vel em: https://www.researchgate.net/publication/232945465_Triathlon_and_Women’s_Narratives_of_Bodies_and_Sport. [Acessado em 23 de dezembro de 2018].